Por que muitas mulheres não tem orgasmo?

E a palavra é: ORGASMO. Do grego orgaein orgasmos, que significa “inchar”, “intumescer” ou “plenitude” (fonte: Dicionário Etmológico).

Escrevendo sobre o assunto e a partir da origem da palavra, esbarrei com seu significado em francês (sim, sim, acabei indo para os lados da cidade dos amantes). Encontrei o Linternaute.com – um site escrito por 25 redatores e parte do grupo Le Figaro, que publica o Le Journal de Femmes, a primeira revista feminina online. Sobretudo com a ajuda das ferramentas de tradução, li: O orgasmo refere-se à culminação do prazer sexual, o ponto mais alto da excitação. É gozo sexual”. Pois bem, em francês a palavra que traduzimos como gozo ou orgasmo é jouissance. Aliás, diferente do orgasmo, jouissance é um substantivo feminino. Sua principal tradução é gozo, mas também prazer, satisfação, usufruto.  

Jouissance

Sobretudo descobri que jouissance é uma palavra arcaica, anglo-francesa. “Retomada e ampliada por Jacques Lacan no seminário sobre ‘Deus e a jouissance de A mulher’, sugere traduções interpretativas tão subtis como (…) ‘posse’, ‘apetite’ ou ‘desejo’.” Todavia esse processo de busca da palavra me atraiu mais e mais, seguiu ficando interessante e eu me aprofundando… Segundo o  site Lacan Online jouissance é um excesso de vida, é o prazer além do princípio de prazer, sendo que, ao falar em “excesso de vida” num de seus seminários, Lacan descreve esse excesso de vida como uma vitalidade superabundante, maaaaas, isso não pode ser relacionado a afeto ou emoção. Aí, como o assunto começou a ir para os lados da psicologia, minhas pesquisas resultaram em Lacan, Freud…pra não perder o foco, coisa que sou muito boa em fazer de vez em quando, quis deixar esse estímulo no ar pra gente seguir pesquisando e tomando consciência de como orgasmo é um assunto diverso e fascinante, até no que diz respeito a sua definição enquanto palavra. 

O corpo feminino

Agora, vamos à parte pele na pele! Uma matéria datada de junho de 2017 felizmente fala do orgasmo como algo “capaz de proporcionar diversos benefícios à saúde física e psicológica”. Mas também aponta a questão de que algumas de nós ainda sentimos dificuldades para gozar. Uma das explicações dá-se ao fato do corpo feminino possuir diferentes zonas sensíveis. Na minha cabeça, se o corpo feminino possui diferentes zonas sensíveis, isso deveria ser uma facilidade e não uma dificuldade. Porém, no mundo em que vivemos, fomos e ainda somos criadas para não sentir prazer além dos locais óbvios. Há diferentes zonas sensíveis ainda são palavras ligadas à dificuldade e a gente pode pensar nisso para além do prazer sexual.

É preciso falar

Nessa hora me veio à cabeça o verso “porém, ai porém há um caso diferente…” do muso Paulinho da Viola. Checando a letra de “Foi um Rio que Passou em minha Vida” encontrei outros versos que trazem boas metáforas para essa nossa conversa: “Se um dia meu coração for consultado para saber se andou errado será difícil negar…”, “A marca dos meus desenganos ficou, ficou…”. Esses dois, por exemplo, me levam pra esse lugar da dificuldade que muitas de nós têm, tiveram (ou ainda nem se dão conta de que passam por isso) para sentir prazer. Sozinha, com ele, com ela, com elxs. Falar sobre, sentir, demonstrar prazer, gozo, satisfação, jouissance são momentos que passam longe da história de vida feminina. Não preciso citar exemplos. “Porém, ai porém…” fazem parte da nossa história a incansável luta pela conquista de espaços, momentos, direitos e hoje em dia já falamos abertamente sobre o assunto. Não só falamos mas sentimos, gozamos.

Jeosanny Kym

Recentemente conheci a produtora Jeosanny Kym. Trabalhamos juntas numa bela produção (FLUP) e conversando,  soube que ela não é apenas uma produtora que faz os “corres” com eventos. Mas desde 2014 é também a Xota-k, personagem que fala abertamente de seus desejos. Além disso, fala de taras, experiências e visões sobre o sexo através de chocolates eróticos. Aliás, descobri que a Kym não vai lá e simplesmente faz os chocolates e vende. Ela estuda – e muito – sobre desejos, taras, experiências e visões. Os chocolates acabam se tornando o resultado desses estudos. “As pessoas entendem meu trabalho num âmbito mais educativo do que erótico. Meu retorno sempre foi positivo”. A Kym inclusive recebe relatos de mulheres que se masturbaram pela primeira vez após conhecerem o seu trabalho.

O grande tabu

Porque nós sabemos bem que nunca foi fácil expor abertamente nossas vontades, desejos, prazeres, mas me deixa muito feliz saber que o trabalho da Kym ajuda outras companheiras (inclusive de fora do Brasil) assim como perceber, seja enquanto mulher bissexual que namora uma pessoa não binária ou apenas sendo eu mesma e observando, respeitando, buscando entender e ajudar a mudar o mundo onde vivemos que já superamos muito. E você amiga leitora, enfrentou algum problema em relação a “ter orgasmo”? Conta aqui nos comentários pra gente?

Gozemos! Jouissance!

Leia mais na Com Sensual:

Pompoarismo

Massagem tântrica

Junte-se à nós da Com Sensual: 

Clique aqui e siga@somoscomsensual 

Clique aqui e cadastre-se

deixe o seu comentário

UM LANÇAMENTO ESPECIAL
DA NOSSA LOJA COM SENSUAL.


Não esqueça de nos acompanhar nas redes sociais

Email

Nome

Sobrenome

Todos os campos são obrigatórios